terça-feira, 22 de setembro de 2009

... e por falar em saudade!


Saudade da minha infância. Saudade do meu bico e da minha mamadeira. Saudade do meu veletrol e da minha bicicleta com rodinhas. Saudade da minha caneta com cheirinho e de várias cores. Saudade do "Prezinho". Saudade da minha merendeira e das coisas que minha mãe colocava nela. Saudade de ter medo da Lua... mais precisamente do "Dragão" que morava nela. Saudade de ter medo do Homem-do-Saco, da Mula-sem-Cabeça e da Mulher-de-Branco. Saudade dos Goonies e do Slot. Saudade de assitir Jason com meu irmão na sexta-feira 13 e ver ele correr atrás de mim, imitando a respiração dele, assim que o filme acabasse. Saudade dos Changeman e do Jaspion, da Caverna do Dragão e dos Smurfs. Saudade do meu Boca-Rica, do meu PogoBol e do meu Jogo da Vida. Saudade das brincadeiras de rua e na rua. Saudade do pique-pega e do pique-esconde. Saudade de subir no pé de manga da vizinha, de almoçar na casa da vizinha e de dormir na casa da vizinha. Saudade do clube. Saudade de levar pão doce com mortadela e suco de limão para o clube. Saudade de ter medo de aparecer tubarão na piscina. Saudade de brincar de "seu mestre mandou" debaixo da água. Saudade de vestir a melhor roupa para ir no bar da esquina tomar refrigerante com minha irmã mais nova. Saudade de acreditar em Papai Noel e em Saci-Pererê que aparecia em redemoinhos de folhas. Saudade do "feijão com macarrão" com gostinho especial que só minha vó sabia fazer. Saudade do meu avô e de ouvir ele falar: "olha ela aqui gente." Saudade dos quadrinhos da Turma da Mônica e da Vila Sésamo. Saudade do cheiro de "Dama da Noite" que tinha na minha rua. Saudade de dar a volta no quarteirão com a minha bicileta e ter a sensação de ter dado a volta ao mundo. Saudade do Cometa Halley. Saudade da máquina de escrever do meu pai. Saudade de fazer castelinhos de areia na praia de Nova Viçosa. Saudade de catar conchinhas em Nova Viçosa. Saudade de brincar de adedanha. Saudade de "Vamp". Saudade de escutar futebol com meu pai na Radio Globo. Saudade de Telejogo e de Atari. Saudade de "Enduro", "Pega-Ladrão" e "Bob Volta para Casa". Saudade dos gatinhos que apareciam na rua e que, por pressão minha e dos meus irmãos, sempre acabavam "morando" lá em casa. Saudade do meu cachorro e do latido rouco que ele tinha. Saudade de pintar a rua para a Copa do Mundo. Saudade dos almoços de domingo na casa da vovó Lourdes e das sobremesas de domingo na casa da vovó Elisa. Saudade de Natal no sítio e de amigo-oculto. Saudade de querer ir embora na nave da Xuxa, de querer ser Paquita da Xuxa e de querer tomar café da manhã no Programa da Xuxa. Saudade da Escolinha do Professor Raimundo. Saudade da motocicleta do meu pai. Saudade do terraço da minha casa onde minha mãe lavava as ropas. Saudade de tomar banho de tanque. Saudade de soltar pipa no morro onde o trem passava. Saudade de jogar bolinha de gude. Saudade de pular corda e de pular elástico. Saudade de ter medo de ficar na escola sem minha mãe. Saudade da historinha que ela contava da "menininha de açúcar" que derretia na água. Saudade de ir ao parque e ao circo. Saudade de tentar achar o "homem escondido atrás da casa" que morava no quadro da sala da vovó...


... saudade!


Saudade desse tempo maravilhoso...


... onde minha única preocupação era conseguir acordar cedo para assistir os Smurfs!

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

E eu?


Estranho... quando olhei para essa foto e não me vi nela, me deu um vazio tão grande. Uma espécie de remorso. Não, remorso não é a palavra certa. Uma espécie de decepção. Não. Decepção também não é a palavra certa. Uma espécie de tristeza. Isso... uma espécie de tristeza. Uma tristeza bem forte e grande. Lembrei-me das fotos nas quais eu aparecia... e aparecia sempre sorrindo. Saudade demais dessas fotos, desses dias, dessas pessoas e de como era a minha vida com essas pessoas. Saudade do Palácio. Saudade das brincadeiras. Saudade das gargalhadas. Saudade dos momentos difíceis de criação de personagens. Saudade de Nélson Rodrigues, de Samuel Beckett, de Shakespeare. Saudade da "Alaide", de "Godot" e de "Hamlet". Saudade dos nossos choros e lamentações. Saudade até dos nossos medos. Saudade do "FIT". Saudade do Teatro da Vertigem. Saudade de subir em um palco e de sentir meu coração na garganta, de sentir o frio na barriga, de sentir todos os olhos e atenções voltados para mim, voltados para nós. Saudade dos aplausos. Saudade de ser espectadora de mim mesma. SAUDADE DE SER ATRIZ!

domingo, 30 de agosto de 2009

Eu vou de arquibancada pra sentir mais emoção!!!!


30 de novembro de 2003
Mineirão
Cruzeiro x Paysandu
Primeira final antecipada da história do Campeonato Brasileiro por pontos corridos.
E eu, claro, não poderia deixa de estar lá!!!!
E eu, claro, estava lá!!!!
Mas não pensem que foi tão simples assim.
Passei por todas as provas de amor ao seu time que um torcedor pode passar.
No primeiro dia de venda de ingressos, acordei às seis horas da manhã e fui para a fila... tsc tsc... quanta inocência.
Quando eu cheguei, já havia muita, mas muita gente por lá. Fui procurando, toda tímida, o seu final e, quando achei, sentei. Sentei pq eu sabia que ia demorar. E não deu outra. Fiz amigos na fila, guardei lugar para as pessoas irem ao banheiro, guardaram meu lugar para eu ir ao banheiro, joguei truco, fiz lanches ocmunitários, li Chico Bento, fiz palavras cruzadas, levantei, andei, sentei e levantei de novo, fui ao banheiro de novo e sentei de novo, levantei de novo, fui ao supermercado, comprei biscoito, sentei de novo... e nada de a fila andar. Cinco horas da tarde e eu parada no mesmo lugar... todos nós parados exatamente no mesmo lugar!
Pouco tempo depois chaga a notícia que os ingressos não iriam mais ser vendidos naquele dia e nem naquele lugar. Pois é galera... confusão na certa, é claro.
Correria, tumulto, policiais, cavalos, policiais em cima de cavalos, empurra-empurra, bomba de efeito moral, pessoas chorando (inclusive eu) e tudo mais... menos o ingresso na mão. Sim, voltei pra casa desolada. Sim, voltei pra casa desolada e chorando. Havia ficado quase doze horas na fila e nada de ingresso... nada... nem umzinho de geral!
A solução, então, seria radicalizar.... e fui isso que eu fiz.
No outro dia acordei às 2 da manhã e fui sozinha para a sede do Cruzeiro. Era a minha última opção. Lembro-me até hoje da reação de espanto do taxista quando eu disse para onde queria ir. E fui. Quando cheguei, de novo, me deparei com muuuuuitas pessoas que estavam atrás da mesma coisa que eu. Pedi o taxista que desse a volta no quarteirão e a cena me deu medo. Duas e pouca da madruga, integrantes de torcidas organizadas faziam fogueira na fila e se enrolavam em cobertores... e só eu de mulher. Não vi nenhuma mulher na fila e, quando achamos o final dela, ele me perguntou: "tem certeza que vai descer aqui??? É muito perigoso, vc não acha não??" É claro que eu achava, mas não havia outra opção. Era isso ou assistir ao jogo pela TV, num buteco. Ou seja, desci. Desci com toda a convicção do mundo que estava fazendo a coisa certa. E por lá fiquei até às 12h. E, de novo, fiz mais amigos (fila de ingresso é uma experiência antropológica). E, de novo, não consegui o ingresso. Eles haviam acabado e eu ainda estava no mesmo lugar. Estranho né? Pois é. E dá-lhe dirigentes do futebol e funcionários da Ademg... afff! Bom, já estava eu sem esperanças e tentando me conformar com o fato de ir para um buteco na hora do jogo (que fique bem claro: não tenho nada contra butecos... mto pelo contrário... mas numa situação dessas eu realmente prefiro o estádio). Eis que, do nada, graças aos meus amigos de fila, consegui um ingresso. Sim, consegui um ingresso... de geral! E ainda quase apanhei pq qnd meu coleguinha foi me entregar o tao disputado objeto, dezenas vieram pra cima da gnt achando que éramos cambistas pq ele estava com muitos ingressos na mão. E pra provar o contrário???? Aaah... foi mta confusão. Resulatdo: fui embora com meu ingresso nas mãos sem maiores lesões. Físicas, né? Pq doida eu já havia ficado há mto tempo.
Coloquei o ingresso - de geral - no bolso, e fui embora como se estivesse carregando 500 mil reais. E o medo que eu tinha de "neguinho" me assaltar e levar o meu ingresso... nhú... desespero era mato!
Quando cheguei em casa e contei para as minhas amigas que eu tinha conseguido um ingresso - de geral - elas quase me mataram. Queriam de todo jeito me convencer que seria mto perigoso e que era melhor eu não ir. Mas eu, depois de ter passado por tudo isso, não iria desistir nunca. Já estava decidido. Ingresso na mão, camisa e bandeira e... bora pro Mineirão sozinha... pra geral. Sim, eu fiquei com medo. E cheguei a cogitar a hipótese de realmente não ir. Mas... tchan tchan tchan tchan.... eis que surge Adauto, meu amigo, meu rei, meu amjo da guarda. Ele era amigo de um amigo de um amigo que trabalhava no Estado de Minas e que tinha direito a pegar ingressos. Aaaah... o Brasil das influências... o Brasil do Q.I... nunca concordei tanto com isso como naquele dia. Em poucos minutos estava em minhas mãos um ingresso de Cadeira Cativa do Mineirão. "Cadeira Cativa???? Ah não... não tem de arquibancada não?" Não, não tinha. Era esse mesmo ou assitir na geral ou em um buteco. Era pegar ou largar. Eu, claro, peguei. E lá fui eu para o Mineirão. Camisa, bandeira e radinho nas mãos (escutar os bastidores na Itatiaia faz parte do ritual).
Fui... fui com uns amigos dos amigos dos amigos do meu amigo que eu nunca tinha visto na minha vida. Pessoas bacanas... Cruzeirenses... hehehe!!!
Chegamos e sentamos... na Cadeira Cativa. Quando eu olhei pra cima e vi a arquibancada lotada, o anel superior do Mineirão todo tomado... sinti um nozinho na garganta. Pois é... eu não me conformava de ver a bandeira da Máfia Azul se abrir e eu não estar debaixo dela.
Olhei para um lado, olhei para o outro... pensei, pensei e pensei de novo. Pronto... e lá fui eu (e Deus) correndo, desesperada, querendo achar o portão que dava acesso à arquibancada. Já sentia todos os meus pelinhos se arrepiando. Depois de muito correr e perguntar e procurar... achei!!!! Achei o portão. Cheguei perto do segurança e disse: "moço, pelo amor de Deus... deixa eu passar para o lado de lá... não quero ficar aqui não. Aqui não tem graça nenhuma." E ele, na maior calma, respondeu: "uai, pode. Mas se vc passar pra lá, não pode voltar pra cá mais não." Na hora que ele me respondeu isso, eu já disse, subindo as escadas, que não queria voltar pra lá era nunca mais. Adeus Cadeira Cativa... e salve salve Arquibancada. Ôh maravilha de cenário. Em menos de cinco minutos estava eu debaixo da bandeira da Máfia Azul. Inenarrável. Só quem já viveu consegue entender.
E assim foi... o jogo todo maravilhoso... ganhamos de 2x1 e fomos campeões do Campeonato Brasileiro de 2003. E eu vi o Alex (craque) dar a volta olímpica no Mineirão, enrolado na bandeira do Cruzeiro, antes mesmo de o jogo acabar. Chorei e chorei e chorei e não tenho vergonha de dizer.
E, claro, viramos a noite comemorando.
Dessa vez sim, num buteco!!!!

Que "Tiradentes" que nada!!!



Todo mundo está cansado de saber que as coisas lá em Brasília não estão muito bem. Se é que alguma vez na vida esteve!
As podridões que lá acontecem sempre chegam aos nossos ouvidos e fica sempre por isso mesmo.
E assim... a nossa vida continua. E os nossos medos e limitações também:
medo de assalto, medo de sequestro, medo de estupro, medo de bala perdida, medo do tráfico, medo do desemprego, medo do aluguel, medo de não conseguir pagar a escola, medo de não conseguir escola, medo do plano de saúde, medo de não poder pagar o plano de saúde, medo de não poder comprar remédio, medo de não ter o que comer, medo de não conseguir uma aposentadoria digna, medo... medo de viver no Brasil.
E assim... a vida deles continua. E seus dólares e contas no exterior também:
fatura de celeular paga com dinheiro público, viagens para o exterior com mais dinheiro público, filhos estudando em escolas particulares fora daqui - é claro, casas em codominios de luxo, carros que valem milhões e apartamentos que valem mais milhões - com mais dinheiro público, roupas de marca e aparelhos eletrônicos de última geração (hum... deixa eu ver... comprados com o suor do trabalho deles? Não, com mais dinheiro público), e tudo mais que o dinheiro pode comprar... ah... já ia me esquecendo... que o dinheiro público pode comprar, claro!
Dinheiro que eles desviam de tudo e de todos.
Vale aqui, uma ressalva para o dinheiro das merendas das escolas.
Juro que eu fico tentando entender, no mais profundo do meu ser, como que uma pessoa consegue ter a coragem de desviar dinheiro de merenda!!!! Como?????
Aaah... já sei... na hora da ação, ele pensa:
"Bom... já que a escola no Brasil é mesmo uma instituição falida, o ensino é uma porcaria e o salário dos professores não serve para nada, qual o problema de eu ficar com essa miserinha que iria servir para a merenda? Uma coisinha a mais, uma coisinha a menos, não faz diferença já que está tudo uma merda mesmo".
E realmente está tudo uma merda mesmo. E é pelo fato de eles não cumprirem suas promessas, que surge o assistencialismo e o "Zé merenda".
É preciso, por exemplo, que um homem suba no lombo de um burro para que a merenda chegue em uma das regiões mais pobres do estado de Goiás. E, assim como lá, infelizmente isso se repete no Brasil inteiro.
E é esse brasil sem estradas, se luz, sem remédio, sem escola, sem merenda e sem qualquer condição digna de vida, que mais sofre com o descaso desses "desalmados" (pra não falar outra coisa) que colocamos no poder.
Mas mesmo assim, mesmo com tudo isso; "Zé Merenda", professores sem salários, alunos sem a merenda, sem o transporte para a escola, sem cadernos e tudo mais; sonham com um Brasil melhor e lutam todos os dias, cada um dentro de suas limitações, para que isso um aconteça.
E a gente ainda escuta falar por aí que o Tiradentes é que é um herói!
Que Tiradentes que nada... heróis são todas essas pessoas que eu citei aí em cima. Todas as pessoas que vivem no "Brasil do medo" e agem para que ele não seja mais asism.
Ôh Bin Laden... você não fez o trabalho completo. Deixou para trás mais duas torres lá em Brasília! Corre que ainda dá tempo!